A escassez de água sempre foi um desafio para Rosângela da Silva, de 42 anos, que mora há seis anos na Comunidade de Pau Ferro, Afogados da Ingazeira. Desde que chegou, ela tem buscado se organizar no sindicato local para encontrar soluções para as dificuldades enfrentadas pelas agricultoras da região.
“Eu chorava porque não tinha reservatório para guardar a água quando chegava a chuva e via ela correndo pelo terreno”, relembra. Durante muito tempo, sua família precisou pagar ao vizinho para encher a caixa d’água, garantindo apenas o essencial para beber. O marido, ajudante de pedreiro, e Rosângela, que realiza trabalhos temporários, enfrentavam dificuldades para manter a casa abastecida.
A falta de água limita a produção de diversas verduras e hortaliças. No terreno ainda mantém algumas fruteiras, com o que chega de água das chuvas. Com a chegada da cisterna de 16 mil litros, sua expectativa é de mudança. “Eu espero que com a cisterna a gente tenha água o ano todinho. Água só pra gente beber já é bom demais, e tem gente que não dá valor”, reflete.
Além de ser beneficiada com a cisterna, a família de Rosângela também faz parte do Projeto de Vínculos Solidários, desenvolvido pela Casa da Mulher do Nordeste (CMN) em parceria com a ActionAid. O projeto promove atividades lúdicas e educativas para crianças nas comunidades rurais, incentivando criatividade, empoderamento e cidadania. O filho de Rosângela, de 10 anos, participa das atividades e já tem sonhos para o futuro. “Eu quero ser bombeiro para apagar incêndios e salvar as pessoas. Aqui, às vezes, eu vejo incêndio e isso é ruim pra natureza”, contou o menino.
A história de Rosângela e sua família reflete a transformação que projetos como esses trazem para a vida das agricultoras do semiárido. Com a cisterna, elas garantem o direito à água e a possibilidade de planejar um futuro mais digno e sustentável.
Cisternas trás esperança no Semiárido

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