Casa da Mulher do Nordeste e o direito à água: a mudança na vida de Aparecida

Casa da Mulher do Nordeste e o direito à água: a mudança na vida de Aparecida

A realidade de muitas famílias do semiárido pernambucano tem sido transformada pelo acesso à água potável, e a história de Aparecida Ferreira é um exemplo dessa mudança. Aos 42 anos, ela mora com seu filho de 15 anos na comunidade de Pau Ferro, em Afogados da Ingazeira. Antes da chegada da cisterna, garantir água para beber e cozinhar era um desafio constante, agravado pelos longos períodos de estiagem que marcam a região.

“Olha, sem a cisterna, nesse tempo de seca é muito complicado, porque tem que ter o reservatório, tem que ter animal pra estar atrás nos açudes, e é uma dificuldade grande. Eu tinha que esperar o meu pai ir buscar água porque eu nem sei trabalhar com animal”, relata Aparecida. A realidade era ainda mais dura nos períodos de estiagem, quando os açudes secavam e a água se tornava imprópria para o consumo humano.

Mas essa história começa a mudar com a chegada da cisterna de placa de 16 mil litros, uma tecnologia social implantada pela Casa da Mulher do Nordeste, através do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), com apoio do Governo Federal. “Eu fiquei tão feliz, meu sonho era ter um reservatório grande e ter certeza que aquela água era boa e limpa, que eu podia beber uma água de qualidade”, conta emocionada Aparecida. Agora, a quantidade de água armazenada é suficiente para atravessar os meses de estiagem sem preocupação.

As cisternas de 16 mil litros são construídas com placas de cimento e projetadas para captar e armazenar água da chuva, garantindo o abastecimento seguro para famílias que vivem no semiárido. Além da infraestrutura, as famílias beneficiadas recebem capacitação para manusear a água de forma adequada e evitar contaminação. “Aprendi muita coisa nessa formação. Agora sei calcular se a chuva vai encher a cisterna e como atravessar o período sem chuva. Também ensinaram sobre doenças transmitidas por água contaminada e como evitá-las”, explica Aparecida. Além disso, as famílias também recebem filtros para garantir ainda mais a qualidade da água consumida.

Antes da cisterna, a rotina de buscar água era exaustiva e demorada. “Era de carroça de jumento para pegar água, levava mais de uma hora”, lembra Aparecida. Agora, com a cisterna ao lado de casa, esse esforço deixou de ser necessário.
Na região de Afogados da Ingazeira, a necessidade por cisternas ainda é grande. “Tem demanda para 600 cisternas, mas até o momento foram construídas 210”, afirma Claudineide Oliveira, responsável pelo projeto na CMN. Aparecida foi uma das contempladas por atender aos critérios prioritários do programa, como ser chefe de família e cuidar sozinha de seu filho, que é autista.

Projetos como esse têm sido fundamentais para mudar a realidade das famílias agricultoras do semiárido, garantindo o acesso à água e promovendo dignidade. “É um tesouro ter essa cisterna em casa. Se não fosse esse programa, eu nunca ia ter uma cisterna dessa. É se preocupar com o nosso bem-estar”, conclui Aparecida.

A história de Aparecida e de tantas outras famílias reforça a importância de iniciativas que garantem direitos fundamentais e fortalecem a convivência com o semiárido. O acesso à água potável é um direito e, com projetos como o P1MC, essa realidade está cada vez mais próxima para milhares de famílias.

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