No contexto de mudanças climáticas que tem impactado severamente, o processo de desertificação e na segurança hídrica nas regiões semiáridas, os projetos apoiados pelo Fundo Ecos tem sido fundamentais na mitigação desses efeitos com a preservação e o recaatingamento do bioma Fno sertão do Pajeú.
O Fundo Ecos está em parceria com mais de dez organizações, entre elas, organizações da sociedade civil e associações comunitárias, na região, e têm fortalecido ações transformadoras para mulheres e famílias de comunidades do sertão. Para começar o ano com o pé direito, as organizações se reuniram para o último encontro do planejamento estratégico da Rede Pajeú de Agroecologia, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a igualdade de gênero no território. Nessa parceria a Casa da Mulher do Nordeste desenvolve uma ação estratégica com o projeto Caatinga Viva.
O ISPN começou a apoiar a Casa da Mulher do Nordeste por volta de 2016, inicialmente com o projeto de construção de fogões agroecológicos. Mais recentemente, essa parceria se fortaleceu por meio do 35º edital do fundo Ecos que tem como foco o “Sertão do Pajeú e a preservação do bioma da Caatinga”.
Neste último encontro do projeto, as ações foram divididas em dois momentos: a visita e o planejamento. Jessica Pedreira, Assessora Técnica do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN comentou sobre como aconteceram as atividades durante a semana.
“Começamos a semana visitando e acompanhando de perto a execução dos projetos em campo, desenvolvidos por organizações da Rede Pajeú de Agroecologia. Na Associação de Mulheres de Minadouro, iniciamos com um café da manhã preparado com produtos cultivados nos próprios quintais agroecológicos. Em seguida, visitamos as casas das agricultoras, conhecendo suas produções e os espaços destinados à criação de galinhas capoeiras, fruto do apoio recebido para a construção de galinheiros.”
Iniciativas como essa não apenas fortalecem a segurança alimentar das famílias, mas também impulsionam a comercialização nas comunidades e feiras locais, além de estimular a auto-organização das mulheres em seus territórios.
Maria Tatiane Gomes de Souza, do Quilombo Feijão e Posse, é uma das mulheres que está sendo beneficiada pelo Fundo Ecos e está participando ativamente das ações oferecidas dentro da rede. Para ela, essa experiência tem sido enriquecedora, proporcionando aprendizados, trocas de conhecimento e fortalecimento das conexões entre diferentes comunidades.
Ao falar sobre o encontro, Tatiane expressou seu contentamento com os momentos vividos e destacou a importância da construção coletiva:
“Foi um encontro maravilhoso onde todos puderam contribuir para a construção do plano da Rede Pajeú de Agroecologia. Um dos momentos que eu fiquei encantada, foi como um quebra-cabeça, juntando pecinhas por pecinhas e chegamos em um resultado incrível.”
Sua fala reflete a relevância desses encontros como espaços de diálogo e colaboração, onde cada participante contribui com sua visão e experiência para fortalecer as ações da rede. Além de planejar o futuro, esses momentos também fortalecem o senso de pertencimento e o compromisso das comunidades na construção de soluções conjuntas para os desafios enfrentados no território do Pajeú .
A participação ativa de mulheres quilombolas como Tatiane evidencia o papel essencial da articulação comunitária na transformação social, garantindo que as vozes e as necessidades das populações tradicionais sejam ouvidas e valorizadas nos processos de decisão.
Graciete Santos, presidenta da Casa da Mulher do Nordeste, ressalta que o apoio do ISPN ao fortalecimento da Rede Pajeú de Agroecologia tem sido fundamental para garantir ações articuladas para melhoria dos modos de vidas e das práticas agroecológicas no território do Pajeú.
“A casa desenvolve o papel de coordenar as ações estratégicas para o fortalecimento de ações em rede no Pajeú. A gente busca aprofundar os problemas comuns, como o uso de agrotóxicos, a desertificação da Caatinga e a violência contra mulheres e muitos outros assuntos presentes na vida dessa população.”
A expectativa das organizações para 2025 é que o ISPN continue apoiando a Rede e os projetos envolvidos, ampliando o alcance das ações e fortalecendo a autonomia das mulheres no território. A intenção é que, com esse suporte contínuo, cada vez mais mulheres e famílias sejam impactadas, promovendo a segurança alimentar, a geração de renda e o fortalecimento da agroecologia. Além disso, espera-se que as trocas de saberes e a articulação comunitária sejam intensificadas, garantindo a sustentabilidade das iniciativas e incentivando a auto-organização das agricultoras na construção de um futuro mais justo e resiliente.

Deixe um comentário