CMN e Fetape encerram projeto de Mulheres e Juventudes com um grande encontro no município de Carpina

Cerca de 30 mulheres se reuniram para celebrar o fim do projeto que buscou pelo desenvolvimento da autonomia política

Entre os dias 27 e 29 de fevereiro, o projeto Mulheres e Juventudes pela Agroecologia e pelo Fim de Todas as Formas de Violência foi encerrado em um grande encontro ocorrido na cidade de Carpina, Zona da Mata de Pernambuco.

O sétimo e último módulo, que marcou a finalização do projeto, reuniu cerca de 30 mulheres no Centro de Formação da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), parceira da CMN nessa construção. Durante os três dias, as participantes relembraram os módulos anteriores, apontando as fases de aprendizados pelas quais passaram; discutiram sobre temas comuns, como o racismo ambiental e o impacto das mudanças climáticas n os seus territórios e nas suas produções; conversaram sobre algumas dinâmicas específicas da política brasileira, como a diferença entre posicionamentos e governos de esquerda e de direita, e como pessoas representativas desses dois lados influenciam na vida de todo o país; entre outros assuntos.

Unidas, as mulheres também celebraram os três anos de projeto, que iniciou em 2020, no auge da pandemia, com os primeiros encontros ocorrendo na modalidade virtual.

“Fez muita diferença na nossa vida, principalmente na minha e das mulheres lá da minha comunidade, porque a gente aprendeu muita coisa ao longo desses três anos. Aprendemos a melhor forma de trabalhar a agroecologia, porque a gente sabe que não é somente plantar de forma correta, sem usar agrotóxicos, sem fazer queimada e se fazer desmatamento, mas também trabalhar o social”, destaca Lucineide Cordeiro, agricultora da comunidade rural Lage do Gato, em Afogados da Ingazeira.

Janja, agricultora urbana da Ocupação Aliança com Cristo, no Recife, fala sobre a importância de trocar com mulheres de outros territórios, fora da Região Metropolitana, e como esse intercâmbio engrandeceu seus conhecimentos sobre a própria prática da agricultura em ambiente urbano. “Eu sou agricultora urbana e também venho acompanhando aqui as histórias das companheiras da agricultura familiar, então isso é muito importante, que a gente vem vendo e se conectando também, tirando dúvidas, trazendo mais informações”, diz.

Por sua vez, Nadja Maria, chama a atenção para como o projeto a transformou não somente como agricultora, mas também como mulher, jovem e agora com mais percepção da sua realidade e dos seus direitos. “Quando eu comecei era só uma menina jovem, agricultora, mãe e agora, através do projeto, eu fui me tornando uma mulher agricultora jovem, uma mulher empoderada”, conta.

Mulheres e jovens unidas em favor de si e da agroecologia

O projeto Mulheres e Juventudes pela Agroecologia e pelo Fim de Todas as Formas de Violência é analisado pelas parceiras CMN e Fetape como muito bem sucedido por ter conseguido, entre outras coisas, unir mulheres de diferentes regiões de Pernambuco em prol de discussões frutíferas acerca dos espaços políticos e sociais que as participantes, hoje, têm noção de que são merecedoras de ocupar.

Entre os seus objetivos estava, em especial, contribuir para que as participantes desenvolvessem a autonomia política, por meio de formações, a partir da compreensão dos seus direitos, do impacto dos seus trabalhos nas produções agroecológicas dos seus territórios e da apropriação da fala e dos seus posicionamentos onde quer que elas estejam.

“O projeto conseguiu permear em diversos espaços, em diversos ambientes que essas mulheres também estão dentro da sua organização social, seja dentro do grupo de mulheres, dentro da associação, do sindicato. Então, a gente faz esse balanço depois de três anos de projeto, que se encerram agora no mês de março, com esse processo formativo sendo concluído nesse primeiro ciclo, entendendo que as mulheres fazem parte do projeto, dessa incidência. Então a gente avalia como muito positivo”, analisa Adriana Nascimento, diretora de Política para as Mulheres da Fetape.

A presidenta da Federação, Cícera Nunes, lança luz para o fato de a troca não ter sido apenas entre as mulheres, mas também entre as parceiras, que aprenderam muito com as agricultoras participantes.

“Nós tivemos grandes experiências, intercâmbios, trocas de saberes. Essas trocas nos trouxeram conhecimentos que foram alguns inovadores, outros melhoraram a prática da agricultura agroecológica. Para nós também discutirmos juntas a questão de gênero, de raça, de etnia, de espaços de poderes, de incidência politica que são também espaços do controle social, de cobranças de poderes, da construção de políticas públicas”, pontua.

Já a presidenta da CMN, Graciete Santos, observa a mudança de postura e posicionamentos que as mulheres adquiriram ao longo dos sete módulos, com o maior entendimento do que está ao seu redor, demonstrando que o objetivo de fornecer a elas subsídios para essa autonomia e auto percepção foram alcançados.

“A cada momento que a gente se encontrava, percebíamos o quanto a fala foi se desenvolvendo, o quanto elas foram se libertando também o movimento, a percepção de si, a percepção do seu território. Foram muitas discussões e debates, sempre centralizando o feminismo e a agroecologia, trazendo a presença do corpo como corpo físico, mas também um corpo como território de existência”, destaca.

O projeto Mulher e Juventudes pela Agroecologia e pelo Fim de Todas as Formas de Violência foi uma parceria entre a Fetape e a Casa da Mulher do Nordeste, com apoio da organização alemã Misereor.

Deixe um comentário

Seu email não será publicado.

PortugueseEnglishGermanSpanish