CMN ministra oficina sobre legislação e comercialização de sementes no Sertão do Pajeú em parceria com a SEMAS-PE

A oficina reuniu as mulheres participantes do projeto Mulheres Guardiãs das Sementes Nativas no Sertão de Pernambuco, assessorado pela CMN

Ana Roberta Amorim, Casa da Mulher do Nordeste

A Casa da Mulher do Nordeste realizou entre quarta e quinta (24 e 25) a oficina Planos de Coleta e Comercialização em rede: abordando a Legislação que incide na produção e comercialização de sementes, uma parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (SEMAS-PE).

A oficina teve como público-alvo as participantes do projeto Mulheres Guardiãs das Sementes Nativas no Sertão de Pernambuco, assessorado pela Casa da Mulher do Nordeste. O projeto tem como objetivo a articulação e organização das mulheres guardiãs de sementes no Sertão do Pajeú de Pernambuco.

Nos dois dias, as 24 mulheres presentes na oficina, ministrada em Afogados da Ingazeira, se dividiram em grupos que analisaram diferentes aspectos: no primeiro dia, elas identificaram os bancos de sementes em cada território, as pessoas responsáveis por eles e de que maneira se dá a logística dos equipamentos nas comunidades. No segundo dia, elas identificaram as plantas nativas da região do Pajeú para, então, fazer o plano de coleta, produção e comercialização de sementes nativas da caatinga e crioulas.

Durante a oficina, foi sinalizado que alguns bancos de sementes estão fragilizados e ainda há demanda para consolidação dos que já estão fomentadas por grupos de mulheres e associações, que têm espaço físico, mas não equipamentos para armazenamento e beneficiamento das sementes, a exemplo das comunidades Fortuna (São José do Egito), Bom Sucesso (Ingazeira), Gameleira (Itapetim), Saco do Romão (Flores) e Saco dos Queiroz (Carnaíba), mas que podem ser beneficiadas pelo projeto.

Por isso, entre as soluções e alternativas apresentadas esteve a identificação dos grupos de mulheres guardiãs de sementes que não têm bancos de sementes construído através da ASA (Projeto Sementes), mas apresentam estrutura física, para receberem os equipamentos e aqueles que já estão construídos, possam ser fortalecidos. Foram citados também intercâmbios entre comunidades, encontros anuais das mulheres guardiãs de sementes, trocas de saberes e sementes e reuniões periódicas, em sinalização à Rede de Mulheres Guardiãs de Sementes, que deverão ser dialogadas durante o seminário que contemplará mulheres beneficiárias dos sertões, Mata e Agreste.

Durante a oficina, também foi realizado o exercício quanto ao Plano de Coleta De Sementes, tendo como base, espécies nativas e de sequeiro, tais como umbu, caju, ipê, milho, feijão, fava, angico, aroeira, catingueira, mulungu e juazeiro, dentre outras.

“Precisamos reconhecer a importância do banco e garantir a qualidade das sementes, mantendo a ancestralidade. Acredito que o projeto vai fortalecer os bancos de sementes das comunidades e ampliar os conhecimentos das agricultoras”, destaca Joselma, uma das guardiãs do município de São José do Egito, participantes do projeto.

A presença da SEMAS, representada pela gestora do projeto, Febe de Oliveira Silva, e a analista ambiental, Graça Sobreira, foi frisada pela oportunidade de entender como tem se dado a construção da rede de mulheres guardiãs de sementes, processo de logística de entrega dos equipamentos e das dificuldades e avanços nesta construção.

Legislação

Na oficina, também foi apresentada a legislação para produção e comercialização de sementes, além do plano de coleta junto às guardiães.

Até o momento, o projeto Mulheres Guardiãs das Sementes Nativas no Sertão de Pernambuco já fez a identificação dos bancos que serão beneficiados (percebendo alguns desestruturados). A meta é fomentar 36 bancos no Sertão do Pajeú e Sertão Central.

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