Organizações feministas participam de Formação sobre Decolonização

Organizações feministas participam de Formação sobre Decolonização

Por Emanuela Castro, assessora de comunicação 

No mês que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o Projeto Mulheres Negras e Democracia, com apoio do Fondo Mujeres del Sur, reuniu para uma formação sobre Decolonização, integrantes de três organizações que impulsionam o projeto no Nordeste do Brasil – a Casa da Mulher do Nordeste (CMN), o Centro das Mulheres do Cabo (CMC), o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR), e a parceira ActionAid Brasil.

A formação foi facilitada pela mestra em Estudos Interdisciplinares em Gênero, Mulheres e Feminismos, e feminista negra Gabriela Monteiro, com o objetivo de fortalecer as organizações a partir da perspectiva feminista decolonial para enfrentar os contextos de crise democrática no Brasil e na América Latina. O primeiro dia (10) foi um resgate coletivo das memórias e da história, revisitando as ancestralidades. Ainda neste primeiro dia foi feita uma reflexão coletiva sobre a categoria mulher e as disputas entre os feminismos.

Reflexões sobre a ancestralidade e a história das mulheres negras

“Essa formação decolonial me trouxe reflexões sobre minha identidade negra, me reconhecer como mulher negra, essa mistura de negritude e indígena. E o quanto isso me fortalece enquanto sujeito social, agricultora rural e mulher ativa nessa sociedade, e meu papel na militância e na transformação social”, disse Juliana da Guia dos Anjos, de Itapipoca – Ceará, do MMTR-NE.

No segundo dia (11), as mulheres produziram poesias com a lente das produções de mulheres negras. Também entrou em contato com a produção de autoras negras como Conceição Evatisto, Gloria Anzaldua, Audre Lorde, Carolina Maria de Jesus, Djamila Ribeiro, Carla Akotirene, Joice Berth.  Em seguida, fizeram uma discussão sobre Interseccionalidade, e o que isso tem haver com a vida das mulheres.

Construção de poesias com referências em produções de mulheres negras

Para Itanacy de Oliveira, da CMN, a formação apresentou novas narrativas teóricas de Mulheres Negras, destacando o Feminismo Negro e marcos teóricos de intelectuais negras brasileiras e de outras nacionalidades. “Afirmam em várias partes do mundo que nossos passos vêm de longe. Que temos produção intelectual sobre nossas caminhadas diversas. As mulheres negras não são vítimas, são protagonistas e fazem Histórias. A formação foi um convite para nossas aliadas brancas que estão no projeto a se desafiar a ter uma perspectiva teórica de Mulheres Negras”, afirmou.

“Foi muito importante nos conectar com a força e a resistência das mulheres negras, que deixaram o seu legado para a construção de uma sociedade antirracista, desafiando as mordaças das estruturas colonialistas que tentaram silenciar suas vozes e esmagar os seus corpos”, relatou Nivete Azevedo, do CMC, sobre o resgate da história e da vida das mulheres negras durante o curso. Sobre a abordagem feminista decolonial reafirmou a necessidade de levar esses debates para suas ações. “Debater os temas e nos mostrou o quanto precisamos aprofundar, revisar, validar e/ou reconstruir conceitos e práticas político/pedagógicas, que nos fortaleça cada vez mais como mulheres, feministas, antirracistas, anti-LGBTIfóbica, para a construção de uma sociedade justa e igualitária”, completou.

O último dia (12) foi marcado pela vivência de capoeira angola, com uma das 12 mestras que existem no Brasil, Mestra Di (Adriana Luz), que deu um show de capoeira e de representatividade de ser mulher nessa filosofia de vida. Ainda fez uma homenagem à Marielle Franco, a partir de uma ladainha de capoeira. E para finalizar a formação, as organizações construíram indicativos de como incorporar o Decolonialismo nas formações e em Escolas Feministas, que estão previstas no projeto ao longo dos próximos meses.

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