Mulheres presentes na construção de um outro modelo de desenvolvimento
06/10/2011 De 26 a 29 de setembro, Salvador foi sede de um momento histórico: pela primeira vez, ativistas e especialistas de vários movimentos sociais se reuniram para dialogar sobre o atual modelo de desenvolvimento para o campo e a agricultura no país. O Encontro Nacional de Diálogos e Convergências: Agroecologia, Saúde e Justiça Ambiental, Soberania Alimentar, Economia Solidária e Feminismo apresentou uma carta com denúncia pública dos impactos do modelo de desenvolvimento e do apoio do Estado para este avanço. Além disso, apontou como alternativas as experiências que vem sendo desenvolvidas pelas redes como fundamento de uma outra proposta política.
Pernambuco estava representado pelas organizações do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (Casa da Mulher do Nordeste e Rede de Mulheres Produtoras do Sertão do Pajeú), Associação Brasileira de Agroecologia e Articulação Nacional de Agroecologia/ASA PE. “O Encontro foi muito bom, com muitos debates e um grande exercício de convergências entre as redes. Para o FBES penso ter sido muito importante sua participação, e sobretudo por se afirmar como um movimento social, assim como fortalecer e ampliar seus diálogos e convergências. No campo da agroecologia e do feminismo, temos tido alguns diálogos, embora ainda falte avançar nas convergências”, disse Graciete Santos, coordenadora geral da Casa da Mulher do Nordeste representando o FBES. Além disso, também foram colocadas propostas para ampliar a construção de articulações locais e avançar na construção de convergências e alianças entre as redes e fóruns envolvidos no diálogo. “Temos uma grande tarefa: a de levar esses diálogos para os territórios de nossa atuação e construir convergências com as diversas redes participantes desse Encontro”, completou.
A Casa da Mulher do Nordeste participou no primeiro dia (26) da oficina “Participação e auto-organização das mulheres”, que trouxe o relato de quatro experiências de grupos de mulheres do Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. Um espaço de visibilidade do trabalho e do empoderamento das mulheres. Uma delas foi da Rede Xique-Xique, do Rio Grande do Norte. A Rede Xique-Xique é composta por 12 núcleos, mais a grande Natal. Este grupo tem passado por dificuldades com o PNAE e o PAA em relação às exigências da vigilância sanitária. Sentem hoje a necessidade de se tornar uma cooperativa e um entrave é a cota-parte de cada uma das mulheres. “As mulheres precisam ocupar o espaço, se sentir capaz de estar neles e apoiar umas às outras. A construção da economia solidária se faz todos os dias, inclusive em pequenas ações de apoio entre os grupos próximos”, disse Emma Siliprandi, da UNICAMP.

Além dessa, outras como experiências foram relatadas como a de Roselita no Pólo da Borborema, de Luciana nos Pampas em Piquiri e de Cledeneuza nas Quebradeiras de Coco Babaçu. “Ficou claro o acerto na estratégia de auto-organização das mulheres demonstrado nas experiências, da necessidade da existência de espaços próprios de mulheres, e deve ser incorporada como um instrumento de luta coletiva dessas redes.”, disse Graciete Santos, da CMN.
Apesar do sucesso da oficina no sentido de fortalecer a participação das mulheres no Encontro, ficou claro que ainda há invisibilidade do trabalho feminino. Durante o debate foi posto que é preciso um grande esforço e decisão política de todas essas redes de convergir no reconhecimento e valorização do trabalho produtivo realizado pelas mulheres, assim como o reconhecimento do trabalho reprodutivo ou do cuidado, como de responsabilidade de todos e todas.
Outro ponto de discussão foi a ausência do tema racial nos diálogos e nas experiências apresentadas no evento. Visto que a questão de raça é estruturante no projeto de transformação que essas redes estão se desafiando a construir, de uma sociedade em todas as suas dimensões: econômica, política, cultural e ambiental.
O evento foi promovido por várias organizações, entre elas: Articulação Nacional de Agroecologia (ANA); Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia); Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES); Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA); Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN); Grupo de Trabalho de Saúde eAmbiente da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO); Rede Alerta contra o Deserto Verde (RADV); Marcha Mundial das Mulheres (MMM); Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).
Reunião do GT de Mulheres - o Fórum Brasileiro de Economia Solidária aproveitou a ocasião da oficina “Participação e auto-organização das mulheres”, para reunir o grupo de trabalho de mulheres do Fórum. No momento foi discutida uma agenda até o final do ano de ações que irão ser socializadas e consolidadas com as mulheres integrantes do GT que não estavam presentes.
Leia aqui Carta na íntegra.
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