Agricultura Familiar e Economia Feminista foram alguns dos temas discutidos no FST

Saiba o que foi discutido no Fórum com relação à vida das mulheres.
10/02/2012 Com o tema Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, o Fórum Social Temático se constituiu num espaço importante de discussão que reuniu ativistas de várias partes do mundo, inclusive o movimento de mulheres. A sociedade civil organizada decidiu por uma agenda de propostas contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e todo tipo de discriminação e exploração. Um olhar muito diferente do que ocorrerá durante negociação formal que será conduzida pelos governos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho, no Rio de Janeiro.
A principal crítica levantada durante os debates do FST foi, justamente, em relação ao conceito de economia verde, tema central da conferência. “Foi colocado que as organizações de uma forma geral e os movimentos estão tendo uma posição firme, não aceitando a “economia verde”, por entender que ela é apenas uma substituição e uma nova roupagem que o capitalismo vem dando para mascarar a crise, tanto no campo da sustentabilidade humana quanto no campo da produção de alimentos”, disse Ana Cristina, representante da Casa da Mulher do Nordeste no FST.
Outra discussão foi sobre as especificidades dos sujeitos que não estão sendo consideradas no Rio +20. “Até o Rio+20, as entidades estarão se organizando e pensando articulações no sentido de aprofundar e fortalecer suas propostas”, explicou Ana.
A Rio+20 também foi lembrada no discurso da presidenta Dilma Rousseff, que esteve no FST para um diálogo com representantes da sociedade civil. Dilma defendeu a criação de metas de desenvolvimento sustentável na conferência e articulação direta entre medidas ambientais e de combate à pobreza.

A Casa da Mulher do Nordeste participou e interagiu nas oficinas que dialoga com as temáticas que a instituição vem trabalhando ao longo dos anos. Um exemplo foi a atividade sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável, na qual foi discutida os desafios para a produção agroecológica, principalmente dos grupos produtivos que ainda estão nessa transição. Foi tratado também os poucos investimentos e incentivos dos governos para a produção da agricultura familiar que contribui significativamente para o PIB e é de fato quem coloca comida na mesa das pessoas no Brasil. Porém para a sociedade e, sobretudo, para as políticas públicas esse tipo de agricultura é invisível e não tem o reconhecimento merecido. “Nossa contribuição foi mais no sentido de ver e sentir como essa realidade da agricultura familiar acontece em outras regiões, assim podemos ver que as dificuldades não só acontecem aqui na nossa área de intervenção, mas em todas as regiões do país. São gargalos que necessitam de um maior engajamento das organizações que pautam essa discussão, no sentido de concentrar forças e dialogar com os governos”, avaliou Ana Cristina.
Sobre Economia Solidária e Economia Feminista, foi citado o trabalho e a atuação da CMN neste campo, como o mapeamento de empreendimentos solidários com mulheres do campo. “Foi bem interessante essa oficina, pois as facilitadoras falaram um pouco sobre os conceitos de economia popular solidária e como está relacionada com a economia feminista, fazendo um link com a vida cotidiana das mulheres”, relatou Ana Cristina.
As questões ambientais e a Rio+20 dividiram espaço com debates de temas tradicionais do Fórum Social Mundial, como a questão racial, o trabalho das mulheres, crítica ao neoliberalismo, entre outros.
Na oficina sobre ações afirmativas – Foram discutidas questões como, a política de contas e como a população tem visto essa política; a discriminação sofrida pelas mulheres negras, nos espaços onde elas estão mais inseridas; as condições de vida dessa população e a violência sofrida principalmente pelas jovens negras, onde algumas organizações identificam que essas jovens estão sendo dizimadas.
Além do FST, em Porto Alegre, mais 25 eventos devem compor a agenda do Fórum Social Mundial em 2012, entre eles o Fórum Social Palestina Livre, marcado para o fim de novembro, também na capital gaúcha.
Da Assessoria de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste
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