Oficina capacita em gestão da produção

A Casa da Mulher do Nordeste (CMN), em parceria com a Rede de Mulheres Produtoras do Nordeste e com apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), promoveu, no período de 7 de julho a 6 de agosto, oficinas de formação sobre Gestão e Organização da Produção. A capacitação aconteceu como parte das atividades previstas nas estratégias da Rede de Mulheres Produtoras do Nordeste, em articulação com a CMN através do programa Gênero & Economia.
Noventa mulheres integrantes da Rede nos estados da Bahia, Maranhão, Piauí, Paraíba e Pernambuco receberam a capacitação, que foi dividida em dois módulos.“O primeiro discutiu temas estruturantes, como os conceitos de Feminismo, Direitos Humanos, Racismo, Gênero e Cidadania”, lembra a coordenadora do Programa Gênero e Economia da CMN, Itanacy Oliveira, uma das educadoras da oficina.
O segundo módiulo abordou a questão da participação da mulher no processo de produção e como ela pode fazer para reafirmar sua autonomia através da política da Economia Solidária. “Ainda sofremos exclusão econômica, temos dificuldade em acessar o mercado de trabalho e ganhamos menos ocupando os mesmos cargos que os homens”, justifica Itanacy.
Discussão no Recife aborda autogestão
A capacitação com as mulheres pernambucanas aconteceu de 4 a 6 de agosto, no Centro de Educação Comunitária do Nordeste (Cecosne). Entre os temas discutidos, sobressaiu-se o tema da ‘autogestão’. “A autogestão é fundamental para se entender a Economia Solidária. Ela diz respeito à autonomia que todas devemos exercitar, principalmente quando temos nosso próprio negócio”, explicou. Para Itanacy, quem tem um negócio deve entender como funciona a cadeia produtiva, “aquilo que desenvolvemos todos os dias: vender, comprar, colocar preço, por exemplo. Precisa entender tudo para não ficar nos bastidores”, disse.
A experiência de Vera Bulhões, do empreendimento solidário Lírio do Vale em Pernmbuco confirma a dependência econômica que impede as mulheres de participarem e terem visibilidade, de fato, no processo produtivo. “Eu proponho uma pergunta: Como nos vemos nessa cadeia de produção? A verdade é que ficamos no anonimato. Por exemplo, comigo, eu faço todo o trabalho, mas quem é que entrega e acaba aparecendo no final? Meu marido. É ele quem pega no dinheiro. É ele quem administra as contas”, contou. Para Vera, encontros como a oficina fazem as mulheres refletir e se questionar sobre sua real participação na economia.
A Rede
Outra questão bastante discutida na oficina foi a importância da organização em grupos. Cristina Souza, do Ateliê Moda Recife, apoia a troca de experiências entre as mulheres. “A gente precisa sair do nosso quadrado, ajudar, ter um espírito de comunhão. Uma entendendo o trabalho da outra fica mais fácil”, opinou. Francineide Melo, da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, ressaltou que, unidas, as mulheres “tem uma força política bem maior”. “Vindo para cá, nos enchemos de ânimo e conhecimento”, disse.
A Rede de Mulheres Produtoras do Nordeste surgiu em 1996 como uma forma de enfrentar as dificuldades de isolamento. Hoje, ela articula mais de 300 mulheres.
Participaram da capacitação em Pernambuco produtoras da Associação das Mulheres de Nova Esperança (AMNE), União de Apoio das Mulheres e Homens, Amigas da Arte, Flor de Mandacaru e Cidadania Feminina, entre outras.
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