1º de Maio - A mulher e o Mercado de Trabalho
29/04/2011- Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgada na última quarta-feira, dia 27, revelou que nos últimos dez anos, a proporção de trabalhadores/as formalizados/as (funcionários públicos estatutários e empregados com carteira assinada) pulou de 37,9% para 44,2%. No entanto, mesmo com essa mudança no mercado de trabalho, mais metade da população economicamente ativa brasileira continua na informalidade. Apesar desses números, que indicam mais oportunidades para trabalhadoras e trabalhadores, um outro estudo, agora do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), divulgado também este ano, constatou que o rendimento das mulheres corresponde a 76% da renda dos homens.
Ainda segundo o DIEESE, a massa salarial do público feminino, no país, atingiu R$ 12,7 bilhões em outubro de 2010, enquanto a dos homens somava R$ 21,2 bilhões, nesse mesmo período. Das seis regiões metropolitanas verificadas pela pesquisa (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte), a capital Pernambucana tem a menor massa salarial: R$ 1,7 bilhão em outubro de 2010.
Para Itanacy Ramos, coordenadora de Programa da Casa da Mulher do Nordeste, é importante destacar que várias conquistas vêm acontecendo nos últimos anos, mas a desigualdade ainda faz parte do cotidiano feminino. “Sem dúvida, houve avanços nos últimos anos em relação à inserção das mulheres no mercado de trabalho, mas as condições dessas mulheres nesses lugares e a desigualdade salarial ainda são precárias. Elas já fazem parte do mercado, mas nem sempre conseguem ocupar cargos para os quais a sociedade atribui prestígio”, analisa.
Além da discriminação de gênero, as mulheres também sofrem, no mundo profissional, com a discriminação racial. As negras ocupam sempre cargos onde o serviço pesado é grande e o retorno financeiro é muito baixo. “As mulheres negras, nos dados, vão aparecer na pirâmide salarial com os menores salários, mais vulneráveis a não ter carteira assinada, ao desemprego e as perdas dos direitos sociais,” pontua Itanacy. Segundo a coordenadora, a maioria dessas mulheres é chefe de família e a renda obtida através do trabalho pesado é voltada para a manutenção do lar e dos filhos.
Empregadas Domésticas - Na ultima quarta-feira, 27 de abril, foi comemorado o Dia da Empregada Doméstica, uma das categorias que mais emprega mulheres no Brasil. Estima-se que haja mais de sete milhões de trabalhadores domésticos no país, dos quais cerca de 95% seriam mulheres, mas nem todas exercem a profissão de forma legalizada. Além disso, o governo federal avalia que a maioria das empregadas domésticas são negras.
Um estudo divulgado pelo Diesse, no ano passado, revelou que na capital Pernambucana 33% das empregadas domésticas são diaristas, enquanto 67% trabalham mensalmente na mesma residência, desse total de mensalistas 55,8% ainda trabalham sem carteira assinada.
Segundo Eunice Antônia do Monte, Secretária do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Domésticas do Recife e Área Metropolitana e 2ª vice-presidenta da Casa da Mulher do Nordeste, as empregadas domésticas já obtiveram algumas vitórias como o 13º salário, licença maternidade, aviso prévio e o direito de folgar em todos os feriados, mas, mesmo assim, ainda há muito a ser conquistado. “O que tem complicado é a discriminação com alguns direitos como o FGTS, que é facultativo, e as domésticas estão cobrando muito o seguro desemprego, a questão da moradia e o fato de não ter uma jornada de trabalho”, explica.
Para a secretária do Sindicato, uma das maiores dificuldades das empregadas dessa categoria é mesmo a questão da moradia. Como muitas vêm do interior para trabalhar na capital é preciso morar no local de trabalho, o que tira um pouco a privacidade e aumenta a jornada de trabalho. “Ficando na casa do empregador fica ainda mais complicado, porque a empregada não tem hora para ir dormir nem hora para acordar, tem que está à disposição a noite todinha”, afirma. Por esse motivo o Sindicato vem lutando por uma moradia digna para essas mulheres.
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